domingo, 9 de novembro de 2003

DE JÁ HOJE
(Adair de Freitas)


De já hoje quando estava no meu rancho me chamaram, me pediram que voltasse.
E nos rumos donde vim eu fiz retorno na esperança de que a vida melhorasse.
Juntei pilchas pelos cantos e fiz canto, pois cantando quando vim cruzei caminhos.
Nesta volta os meus sonhos de distância trazem ânsias de rever o velho ninho.

(Quando eu vinha pela estrada de já hoje.
Lá no passo esporiei o meu picaço.
E na ânsia de chegar saí cantando:
Nunca mais eu voltarei pra donde vim)

De já hoje quando vinha pela estrada regressando pro rincão onde nasci.
Dentro d'alma galopeava uma saudade e a vontade de encontrar o que perdi.
Labaredas de algum fogo galponeiro vozes rudes de campeiros como eu.
Mãos amigas me alcançando mais um mate realidades que a cidade não me deu.

De já hoje quando ao tranco fui chegando na porteira que eu abria quando piá.
Vi gaúchos que me olharam de soslaio nem ao menos buenos dia hoje se dá.
Não vi pasto no potreiro rebolcado nem caseiro pra gritar passe pra diante.
Não vi erva pra o gaúcho tomar mate nem um resto de churrasco pra o andante.

(Quando vinha pela estrada de já hoje.
Lá no passo sofrenei o meu picaço.
E esta bruta realidade mata anseios.
Que eu sentia nos lugares donde vim)

De já hoje quando vinha pela estrada retornando do rincão onde nasci.
Esporiei o meu picaço num laçasso fui deixando para trás tudo que vi.
Quero andar, andar,andar pelas estradas e avisar quem vem de longe a regressar.
Que a mentira vem tropeando mil promessas e a verdade já cansou de cabrestear.

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