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Esse é um pedido da Anja Azul
Somos todos estrelas
É interessante notar como morrem as estrelas, sim elas morrem, e o processo que gera isso é muito agradável de analizar.
O que mantêm essas gigantescas fornalhas em funcionamento é um fenômeno físico chamado de fusão nuclear.
O que acontece é basicamente o seguinte: Uma estrela antes de incendiar-se é apenas uma gigantesca bola de hidrogênio, a substância mais simples e comum do universo e que se mantém unida graças a força da gravidade. Mas enquanto mais material chega a essa bola, mais "pesada" (densa) ela fica, até que em certo ponto, em que a pressão e o calor é tanto, que os átomos começam a se fundir uns aos outros, e liberar energia nessa fusão.
Enquanto têm hidrogênio em quantidade, dois átomos de hidrogênio se fundem para formar um de hélio. Ora, durante a fusão, quando os átomos são esmigalhados pela pressão, um pouco de energia se perde, gerando todo esse calor e radiação que emana, por exemplo, no nosso Sol.
E a estrelinha vai levando sua vida, queimando todo o hidrogênio que possui, e gerando hélio. Quando o hidrogênio acaba, passa a fundir o hélio e gerar neônio, e assim por diante.
Ora, durante a sua existência a estrela mantêm o seu diâmetro basicamente igual, o motivo é que enquanto a gravidade pressiona a sua massa para dentro, para o centro dela, a energia gerada pela fusão nuclear empurra a massa da estrela para fora, mantendo-a assim em equilíbrio.
Chega um dia, em que a energia gerada pela estrela não consegue mais aguentar a pressão da gravidade e começa a desmoronar como um bolo que não deu certo, nesse ponto a estrela começa morrer.
Com algumas pessoas acontece o mesmo, vivem normais, em aparente equilíbrio com as pressões externas, mas foi apenas até o seu "combustível" acabar, e ai elas começam a ceder, a desmoronar.
Cada pessoa têm seu tipo preferido de combustível, pode ser um amor, uma religião, uma ideologia, uma filosofia de vida, sua moralidade, seu orgulho, sua inteligência, ou a falta de uma. Os seres humanos são bem menos exigentes do que as estrelas quanto ao elemento que queimam para viver.
No caso da estrela, quando a morte se aproxima, acontece o seguinte fenômeno: num instante, tudo o que restava de combustível que ainda não fora queimado se concentra, empurrado pela pressão, apenas num ponto, e em instantes gera energias inacreditáveis, expandindo os limites da estrela para muito alêm dos que tinha antes. O astro, nessa fase do processo se transforma numa supernova.
Se o nosso Sol se tornasse uma supernova, e ele se tornará daqui a uns 5 bilhões de anos, ele, em poucas horas, cresceria tanto que engoliria Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Os planetas mais próximos do astro rei seriam os primeiros a sucumbir a sua fúria agonizante.
Já notaram a reação de algumas pessoas que entram em colapso? Já viram como podem arruinar as vidas de qualquer um que se aproxime demais? Cuidado com as pessoas que viram supernovas.
Esses momentos de terrível explendor não duram muito, é mais um grito de agonia do que uma afirmação de poder. A existência de uma supernova pode não ser efêmera, mas é tragicamente curta. Um ato final de afirmação que tanto astros como homens realizam para chamar a atenção sobre si, para ver que no fim, nada adiantou.
A fase seguinte é, para mim, a mais interessante.
A gravidade, essa vilã, empurra novamente a massa da nossa estrela para o seu centro, só que dessa vez não há energia para salvá-la, ela queimou tudo em seu último ato desesperado, e a estrela é arrastada para dentro de si mesma, desmanchando-se, esmaganda pelo seu próprio peso milenar.
Nessa fase a estrela pode se tornar uma das duas coisas, apenas uma delas.
Se a sua massa, seu peso, passar de certo ponto, ela não consegue mais impedir o processo de implosão. Logo toda a sua massa estará concentrada em um ponto ínfino, e irá gerar uma força gravitacional gigantesca, atraindo tudo o que tiver ao seu redor, e engolindo tudo. Nem mesmo a Luz, com seus 300.000 km/s, consegue escapar desse gigantesco aspirador cósmico.
A estrela se tornou um buraco negro. Alguns cientistas teorizam que o universo inteiro acabará por ser sugado pelos buracos negros.
Já vi pessoas assim, nesse estado extremo, casos únicos, anomalias singulares. Algumas delas conheci pelas estradas da vida, nos estranhos lugares que para os quais Deus me levou, e também pela internet, sim, nela parecem proliferar mais, sujeitos desgraçados, miseráveis, vazios, as quais seu coração se tornou um imenso sugador de energia, que querem tua atenção, que querem te sugar, sugar até que se torne um miserável como ela.
Um conhecido meu, seminarista que se prepara para assumir o pastorado, está com o HIV há vários anos, pegou esse vírus durante a juventude, de uma pessoa que sabia que tinha a doença, e que queria passa-lo para o máximo de pessoas possíveis antes de morrer.
Algumas estrelas acabam assim.
Mas não é apenas esse destino que aguarda esses astros, algo diferente pode acontecer.
Algumas estrelas não tem massa o suficiente para gerar o efeito "buraco negro" e quando morrem e são esmagadas pela gravidade, um fenômeno diverso acontece. De alguma maneira, os cientistas não entendem bem, ela se contrae a ponto de ter uma massa descomunal, mas ficam pequenas, estremamente pequenas, estrelas do tamanho do Sol, onde caberiam mil terras, ficam com 20 km de diâmetro apenas.
Quando essas estrelas foram observadas pela primeira vez, acharam que seriam sinais de vida inteligente no espaço porque o seu brilho era tão regular e pulsava, como se fosse um farol no meio do universo. Os intervalos entre as pusações eram tão regulares, que os relógios atômicos eram acertados por eles. Um intervalo entre um pulso e outro era rigidamente igual, perdendo apenas um milissegundo por ano.
Esses astros foram batizados de Pulsares, ou Estrelas de Neutrôns.
Algumas pessoas, após serem pressionadas pelas mesmas forças que outras, acabam virando pulsares, aprendem a harmonia verdadeira, que só vem do contato com o mundo, e não de um exílio dele. Essas pessoas são mesmo centros de luz, constantes, inabaláveis, podemos não acertar nossos relógios por elas, mas com certeza as suas vidas são tidas como um padrão. Também tive oportunidades de conhecer muitas pessoas assim. Modelos de vida, de equilíbrio, de eqüidade, de serena contemplação da vida. Pois eles entraram num embate de vida ou morte contra a própria vida e, estranhamente, se viram derrotados e vencedores ao mesmo tempo.
A única diferença entre uma estrela e outra, entre uma pessoa e outra, é a massa, no caso da estrela; e o ego, no caso do humano.
Pessoas com o ego muito grande, muito maior do que deveria ser, se tornam verdadeiros desastres quando entram em colapso. Querem levar o mundo inteiro com eles, porque eles sempre foram o seu mundo, tudo girava ao seu redor, e para eles o mundo sem eles não deve existir.
Mas há pessoas que não vêem o mundo assim, se entendem como uma parte de um todo, vê que há muitas outras estrelas mais brilhantes que elas, e, algumas vezes, que existe um criador das estrelas, que deve brilhar mais do que todas as estrelas do universo juntas.
Esse grupo passa pelas mesmas fazes que o primeiro grupo passou. Queimam hidrogênio, reagem as circunstâncias, entram em colapso, agonizam, morrem.
Só que como não se voltaram para si mesmos, e como não ficaram eternamente contemplando o próprio umbigo, como não sentiram pena de si, sairam do processo amadurecidas. Venceram a morte.
Meu conhecido, meu irmão que está com HIV, muitos anos depois de se converter e conhecer a Cristo, descobriu que o homem que lhe impusera o jugo terrivel de ter essa doença se encontrava em estado terminal numa cama de hospital. Foi vê-lo.
Seu corpo coberto de feridas, escurecido pelas chagas, não deixava reconhecer o rapaz forte e jovem de outros tempos.
Meu irmão esteve com esse homem, conversou com ele, e disse que sabia o que ele tinha feito, que colocara para sempre uma sombra de morte sobre ele, e lhe roubara a sua vida.
Mas disse que o perdoava, porque precisava perdoá-lo, para que pudesse prosseguir com a vida que lhe restava.
Os dois foram atacados pelo mesmo mal, mas por não ter se voltado para dentro de si, procurando algum deus em seu estômago, mas porque procurou um sentido fora de si mesmo, um deles conseguiu escapar de ser um "black Hole" para ser um Pulsar.
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