quinta-feira, 28 de agosto de 2003

Anti-antiamericano

Ontem me disseram que o meu anti-antiamericanismo era um caso passional, que eu só "defendia" os Estados Unidos porque estava emocionamente envolvido com ele.
Mentira, e das mais perigosas, daquelas que contém doses de verdade para disfarçar o gosto. Na verdade defendo os Estados Unidos aqui, quando acusam os americanos de serem arrogantes e prepotentes da mesma forma que defendia os brasileiros no Japão, quando os acusavam de serem preguiçosos, vulgares e atrasados, assim também como defendi os japoneses e brasileiros nos Estados Unidos, quando em rodas informais apontavam inapropriadamente um ou outro defeito de ambas as nações.
Na verdade sou anti-nacionalista, já basta os males que o nazismo e o comunismo causaram, ambos fortemente alicerçados em extremo nacionalismo. Me considero mais gaúcho do que brasileiro, mas, trágica infelicidade, meu país não existe e não me apetece adotar nenhuma nação como a minha (a não ser aquela que está nos céus, a "pátria celestial" do apóstolo Paulo). Nesse mundo me considero quase um judeu antes da criação do estado de Israel, ou um cigano, um sem-pátria (curioso, tenho por parte de mãe sangue bugre, não são ciganos, mas, indíos nômades dos pampas). Isso me permite falar sem paixões qualquer país, vejo todos os homens como parte de uma só familia, os erros que os americanos cometem nós podemos cometer ou estaríamos cometendo se tivéssemos chance, deve ser tremendamente tentador ser a maior potência do mundo.
Também não me deixo enganar, a maioria das facções que criticam os americanos, não os indivíduos, mas as "correntes" que eles defendem, são tremendamente hipócritas, apenas querem tomar o poder, justificarem os próprios erros, serem os primeiros, estarem na posição onde os Estados Unidos estão. Mesmo que isso seja impossível para grupos tão tacanhos, são bárbaros querendo expoliar o império romano, nada mais do que isso e, assim, arrastando multidões com discursos pró-sociedade.
Não sou anti-antiamericano por paixão, apenas sei ver o melhor e o pior de cada país, pois o vejo como são, pessoas, e por causa disso tenho uma tremenda desconfiança de tudo que é tão vulgar.

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